Os homens ativos e o perigo de nossa civilização
outubro 25, 2007 at 1:16 am Deixe um comentário
A 5ª Jornada Científica UVV convidou a comunidade acadêmica a pensar sobre o papel das instituições de ensino superior frente aos desafios aquecimento global e suas principais conseqüências. Atualmente, o aquecimento global é o perigo que mais preocupa nossa civilização.
Vitor Cei, mestrando em Estudos Literários pela UFES e aluno do curso de jornalismo da UVV, apresentou uma pesquisa cuja proposta é acenar para o fato de que o aquecimento global não é um problema em si mesmo, mas apenas uma das conseqüências de um problema muito mais antigo. Esse problema foi designado pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, no século XIX, como “o perigo de nossa civilização”.
Por meio de pesquisa bibliográfica, tendo como principal referência o pensamento de Nietzsche, Vitor Cei mostra que do Renascimento à Revolução Científica dos séculos XVI e XVII, uma série de acontecimentos inaugurou os tempos modernos. O teocentrismo foi substituído pelo antropocentrismo e o racionalismo contrapôs-se à fé. Com o advento da burguesia surgiram os homens ativos, convertidos em sujeitos que usam a tecnologia para se apoderar do mundo. A matematização da realidade desencantou a natureza, absorvendo-a dentro da imanência da subjetividade e transformando-a em objeto de investigação e dominação científica. Instaurou-se, no mundo globalizado, uma racionalidade discursiva, abstrata, instrumental, burocrática e dominadora. No século XX, a aliança entre a técnica e o capital proporcionou duas guerras mundiais, o holocausto e a bomba atômica. No século XXI, o assenhoramento técnico da realidade ameaça a devastação da Terra. Cei conclui, com Nietzsche, que pertencemos a uma época em que a civilização corre o risco de ser destruída por seus próprios meios.
Por Vitor Cei
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